quarta-feira, 25 de julho de 2007

Mitos do Rock - idade e "credibilidade"



Existem, entre diversos outros, dois falsos e nefastos mitos que tentam enquadrar o rock’n’roll: 1) todos os ídolos/músicos “famosos” de rock deveriam morrer antes de ficarem velhos (ou, sendo menos radical, deveriam deixar de tocar esse tipo de música); 2) todos os compositores de rock deveriam escrever sobre experiências próprias, sobre fatos que ocorreram em suas vidas, sob pena de não terem “credibilidade” (seria essa a palavra entre aspas mais adequada? A reboque viriam, sem terem sido chamadas, a “integridade”, a “autenticidade”, etc. etc.).

O primeiro item já foi discutido centenas de vezes, com todas as discussões citando a frase de Pete Townshend, “I hope I die before get old”. Se não citar, não vale. Já foi objeto de reportagem da revista Rolling Stone (a estrangeira), na qual o autor achava um acinte ao rock a existência de qualquer ser humano famoso com mais de 30 anos que cantasse ou tocasse guitarra pertencendo ao dito gênero musical. Haverá lei que obrigue uma “estrela do rock” a tocar blues ou jazz a partir dos 31, sob pena de ser linchado ou desacreditado? Quem não conhecer todos os acordes de jazz deve se suicidar. Aos 27 está bom, não precisa esperar os 30, são acordes demais para se aprender em 3 anos. Não, não se mate, dá para tocar um blues básico com três acordes. Bang. Tarde demais.

A afirmação do segundo item também é uma besteira com tamanho, pois equivale a dizer que um autor não pode escrever peças de ficção. Um escritor teria, então, que ser autobiográfico. Ficção, nem pensar. Seja real, tenha “credibilidade”, escreva sobre aquilo que viveu. E mais ainda, se ficar velho, pare de escrever/cantar suas músicas/livros antigos, pois não correspondem mais à sua realidade. Clapton, não cante mais “Cocaine”, lembre-se do que prometeu ao renomado médico da clínica na Flórida. Cante blues dos anos 20, mas leia a letra antes, apenas por garantia. No limite (no limite mesmo), autores de livros de ficção-científica jamais teriam “credibilidade”. Aposto que H.G. Wells nunca viajou no tempo nem se encontrou com caranguejos gigantes. E os progressivos então, como ficam nessa história?

Nosso ex-monarca, Roberto Carlos, tem “credibilidade” e atendeu aos dois itens: trocou a jovem-guarda por música-para-senhoras (item 1, opção menos radical, infelizmente), e não canta mais que quer que tudo o mais vá para o inferno, porque agora ele é religioso (item 2) e o inferno é uma brasa, mora? Gente desse tipo tem mania de proibir livros sobre sua pessoa. Só faltou a Noite dos Cristais em algum transatlântico.

Morrisey disse uma vez, acho que nos anos 80, que os Rolling Stones (a banda, não a revista) “não saíam do caminho”. Será que ele pediu licença, empurrou, desviou, pegou um atalho, ou foi simplesmente chorar as mágoas num pub qualquer de Madchester, esquecendo-se que “you can't start a fire worrying about your little world falling apart”? E hoje em dia, teria ele desejo de que alguma banda nova falasse o mesmo sobre ele? “Morrisey, saia do caminho!”. É mais provável que seja o vizinho de sua mansão, pedindo-o para retirar o Jaguar da frente da garagem.

Qualquer um que já se cansou das bandas-de-rock-com-credibilidade não concorda com os ditos mitos. Nada como um disco novo do Bob Dylan. Nada como um bom músico que dá um tempo de sua banda de 20 anos e lança um trabalho autoral. Nada como Neil Young, sempre, com qualquer idade. Viva as rugas que tornam as cordas vocais mais ásperas e os dedos mais calejados. E viva a criação de uma nova realidade, de uma outra paisagem. Mas é claro que escrever sobre aquilo que viveu não faz mal nenhum. Uma coisa não exclui a outra. João & Lúcia no céu com diamantes. João negou, jogou a culpa no filho, coitado do Julian, não podia nem desenhar em paz. Por outro lado, Dylan não viveu “Like a Rolling Stone” (a música, não a banda, nem a revista). Mas pode ter presenciado a cena. Ou pode ter criado a história. Isso não faz mesmo a menor diferença.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Phil Spector (Nova Iorque, EUA)



O texto reproduzido a seguir trás de volta à vida um artigo perdido no tempo, publicado originalmente nas Seleções do Reader’s Digest de maio de 1966. Reflexão sociológica-básica sobre o tão caro tema chamado rock’n’roll que, de tabela, mostra os passos iniciais de Phil Spector, mais um dos grandes astros do setor produtivo mundial. Não cabe aqui um resumo biográfico de Phil “Wall of Sound” Spector, pois o Música Folk! exige como pré-requisito a disciplina Cultura Pop I, disponível em centenas de sites disseminados pela Internet.

Hoje em dia, os exemplares de Seleções são uma mistura de Caras com pretensões literárias e pauloscoelhos escrevendo compêndios médicos para hipocondríacos. Mas não era assim há alguns anos. Roubei/herdei a coleção (quase) completa. Os artigos eram ótimos. Os textos do período final da segunda guerra, 1944/1945, são fantásticos. É verdade que já naquela época transbordava a propaganda pró-americana, mas isso não faz a menor diferença. Afinal, Bruce Springsteen também é meio desse jeito, não? Ou muito pelo contrário? (com certeza The Boss não atende à Lei Millôr). Born in the USA era tudo o que importava. Ou melhor, Born in the E.E.U.U., como era chamado o país dos ianques à época. Que diabos é isso de E.E.U.U.? Cartas para a redação. Não vale olhar no Google. Na época, o Capitão América fazia um esforço (recompensado) para salvar o mundo. Hoje faz esforço para destruí-lo. Confesso que prefiro a primeira opção. Sou um pacifista convicto, do tipo que adoraria viver pegando onda na costa californiana e tocando guitarra na banda de Chris Isaak.

Alguns artigos bem interessantes, pinçados da coleção sem nenhum critério definido:

Dezembro de 1957: “Iraque: Terra da Esperança”. Isso é que é revista com visão de futuro: “Há um país árabe no Oriente Médio que é decididamente a favor do Ocidente. É um país subdesenvolvido, mas que está progredindo graças a esforços e recursos próprios. Só pede ao Ocidente orientação e assistência técnica...”. Acho que os problemas todos começaram a explodir a partir desse negócio de “orientação e assistência técnica”.

Novembro de 1960: “A Verdadeira História do U2”. Estranhamente, não falaram nada sobre o Bono Vox.

Novembro de 1961: “Cuidado com o Sol!”. Isso é que é revista com visão de futuro: “Já é tempo de os médicos iniciarem uma campanha educativa sobre os efeitos prejudiciais da exposição ao excesso de sol e de preconizarem o uso de preparados que afastem o envelhecimento prematuro da pele e o câncer”. Protetor solar naquela época chamava “preparado”. Já se sabia de tudo em 1961. E porque, então, minhas dermatologistas particulares demoraram tanto a me avisar sobre isso? Quem nunca torrou no sol sem proteção que atire o primeiro Nívea 50 Fator Azul (com a Gisele junto).

Julho de 1962: “Cigarro e câncer de pulmão: o que se sabe de novo”. Exceto pela questão do fumo passivo, já estava tudo lá. E é inacreditável para os padrões mercantilistas atuais o que a revista colocou, em destaque, em um quadro no centro da página:

"Propaganda de Cigarros:
Seleções do Reader’s Digest não encontra mais razão alguma para duvidar de que cigarros são nocivos à saúde dos fumantes. O presente artigo constitui importante acréscimo ao conjunto de provas que nos conduziram a essa conclusão.
...
Nessas circunstâncias, e enquanto elas perdurarem, achamos desarrazoado continuar a aceitar anúncios que visam a estimular o uso de cigarros. Assim sendo, estamos avisando os nossos anunciantes sobre essa nova orientação, que começará a ser aplicada após o vencimento dos contratos publicitários em vigor."

E isso em 1962!!!!

Março de 1989: “O que está acontecendo com o clima?”. Opa, salto no tempo. Eu não sabia que o aquecimento global e o efeito estufa já eram de conhecimento geral desde 1989. Desse jeito não há calota polar que resista.

Não compro nem assino Seleções. Hoje, seu marketing é ortodoxo demais. Pacotes imensos com aparência alqaediana são enviados para sua casa, dizendo que o destinatário (com seu nome lá) ganhou a primeira etapa de um concurso sinistro, que você nem lembrava ter se inscrito, e se preencher um formulário com todos os seus dados e assinar Seleções por 50 anos, ganharás prêmios inimagináveis para um reles leitor mortal, talvez até uma virgem para cada ano de assinatura. Pessoalmente, acho que melhorar a qualidade dos atuais artigos seria mais efetivo. Vamos torcer para que o povo atual de Seleções “let the good times roll” novamente, como sugeriu Mr. Ocasek em um dia inspirado.

Não tenho as últimas informações, mas o velho Phil, dedicado colecionador de armas como todo americano normal, anda matando gente por aí. Não o chamem para produzir seu CD, pois além de perigoso, ele dá azar. John Lennon e quase todos os Ramones morreram algum tempo após terem seus álbuns produzidos por Phil.

Então, aí vai o texto. É condensado do Times, pois a revista sempre teve essa propensão a leite moça. O artigo é de autoria de James A. Michener (Prêmio Pulitzer de 1948 - http://en.wikipedia.org/wiki/James_A._Michener), e indiretamente prepara os leitores para a aceitação sem contestação, que levará ao estabelecimento da indústria pop. Bons meninos e meninas, alguns deles ou delas poderão inclusive participar impunemente de comerciais de cerveja ou refrigerante. Faltou prever que Phil, começando como juiz de concurso de rock estudantil, acabaria seus dias condenado a produzir uma versão hardcore de Jailhouse Rock. Afinal, os E.E.U.U. não são o país da impunidade, e lá os bambas-do-pop e os bispos evangélicos não têm em geral o mesmo destino dos senadores brasileiros.
(interessante a lembrança agora da música de nosso ministro: “... no país da fantasia, um estado de euforia, universo paralelo ...”. Eu moro bem próximo do Universo Paralelo, no centro do País da Fantasia. O Estado de Euforia está rigidamente delimitado pelas fronteiras do referido Universo. Não vou requerer o visto. Pegaram a besta do apocalipse conversando no telefone. A besta atende à Lei Millôr em toda a sua extensão. Ganha um CD do estado-de-sítio quem adivinhar o final da história).

Não Condenem o "Rock'n'Roll"

James A. Michener

Condensado do suplemento dominical do Times, de Nova Iorque
Texto de Seleções do Reader’s Digest, maio de 1966


Quando St. John Terrel, meu vizinho e proprietário do Music Circus, um teatro de lona em Lambertville, no estado de New Jersey, me pediu para fazer parte do júri que julgaria os finalistas do campeonato americano de rock’n’roll organizado por ele, julguei que estivesse louco.
- Imagine! Exclamou ele, persuasivo. Você ficará entre Cousin Brucey e Phil Spector, e decidirá com eles o futuro da música americana.
- Quem é Cousin Brucey?
- Quer dizer que você não gosta de rock? Perguntou Terrel. Ainda não ouviu Bruce Marrow, uma das forças mais significativas na atual oligarquia da música? Quer dizer...
- Está bem. Mas quem é Phil Spector?
O olhar, dessa vez, foi de piedade. Terrel foi buscar um artigo de jornal com o retrato de um rapaz de cabeleira cumprida, roupas requintadas e uma das fisionomias mais argutas que já vi nos últimos anos. O artigo dizia que ele ficara várias vezes milionário só com a venda de seus discos à nova geração.
O quarto membro do júri seria o desenhista Harry Haenigsen, um “quadrado” que estaria vestido comumente e com quem eu poderia pelo menos falar, enquanto Cousin Brucey e Phil Spector estivessem se comunicando com os jovens. Aceitei o convite, e com isso ingressei em um mundo fascinante.
Comecei com aquela informação esparsa que todo adulto tem do rock’n’roll. Conhecia os Beatles, Elvis e o quinteto de Dave Clark. Não era inteiramente “quadrado”, mas tampouco era um aficcionado. Quando a nova música era bem tocada, eu gostava. E como romancista, fascinavam-me os aspectos sociológicos que acompanham a nova mania da juventude: os cabelos longos, a elegância antiga de rapazes que normalmente a repeliriam, a gíria, o fenômeno dos gritos dos adolescentes e, mais importante, o elemento de protesto.
Foi numa tarde de calor sufocante que compareci para a primeira eliminatória. Para espanto meu, mais de 400 conjuntos de todos os cantos do país tinham-se inscrito, e 88 foram escolhidos para se apresentarem em Lamberville para a triagem inicial. O conjunto vencedor receberia 1.000 dólares, apareceria num programa de TV, teria a oportunidade de gravar um disco, o que é um bom começo para quem quer ingressar no profissionalismo.
À medida que as bandas chegavam e tiravam das bagagens seus apetrechos, tive outro choque. Eu estava esperando grupos de quatro ou cinco músicos com guitarras, talvez um trombone e uma bateria. Little Caesar e os Romanos, de Lewiston, Maine, provaram-me o meu engano. Cinco rapazes chegaram em um carro, seguidos por um caminhão do qual retiraram uma dúzia de grandes alto-falantes eletrônicos, cinco amplificadores, quatro microfones e, além de um órgão que teve de ser carregado por quatro homens, dezenas de metros de fio eletrônico especial.
Perguntei a Ronald Poulin, rapaz de 16 anos que é o líder do grupo, quanto dinheiro o grupo tinha investido nesse equipamento. Calculo que mais de 5.000 dólares. Tudo isso tinha sido pago com o dinheiro que esses cinco rapazes – o mais velho com 18 anos – tinham ganho tocando em night clubs e festas de aniversários, casamentos e nos concertos de rock’n’roll que se realizavam toda sexta-feira à noite na cidade de Lewiston, aos quais compareceram regularmente 1.500 jovens.
Todos os componentes do grupo de Poulin estudaram música e podem tocar quatro ou cinco instrumentos. “Uma das coisas boas a respeito do nosso grupo é que nenhum dos rapazes jamais esteve metido em complicações com a lei”, informou-me Poulin. “Todos nós pretendemos terminar o curso secundário”.
Enquanto eu observava os conjuntos abrirem a bagagem, adquiri duas impressões que guardo até hoje. Em primeiro lugar, os rapazes que se dedicam a essa alucinante e apaixonante forma de arte são acima da média no que se refere a aparência física, limpeza, simpatia e bons modos. Mesmo aqueles que usam trajes estapafúrdios (os “Prophets” vestiam togas e usavam sandálias de couro com tiras cruzadas até os joelhos, ao passo que os Monkey Men tocavam dentro de uma jaula) eram ordeiros e simpáticos.
Em segundo lugar, o instrumento musical em si parece ser menos importante do que os sistemas eletrônicos que reproduzem o som por ele emitido e o transmitem em pleno volume ao ouvinte. Se – e foi o que ocorreu durante as finais – falha o sistema elétrico, a música dessa geração fica reduzida a um murmúrio insignificante.
No primeiro dia, 43 bandas competiam. Foram dispostas em um enorme círculo contornando a parte externa da arena, e a comissão julgadora ficou sentada no centro do teatro. Nos cinco minutos antes de se iniciarem as competições, cerca de 200 músicos, cada qual com seu amplificador a todo volume, passaram em revista pela última vez seus problemas individuais. Foi a cacofonia total, metálica, estridente, o som de nossa época. Atingiu-me de todos os lados, vindo de uns 400 amplificadores, e foi a sensação mais próxima de ruído total que já experimentei. Confesso que gostei.
Nas canções de rock’n’roll – se é que podem ser chamadas de canções – notei o advento marcante das chamadas músicas “de protesto”. Numa delas, os músicos lamentam o destino do mundo: mesmo que se solucionem os problemas do Vietname, ainda restarão Selma e Alabama. Outra canção, aplaudida com entusiasmo, conta que um rapaz não fora aceito na escola por que tinha o cabelo comprido demais. Terrel explicou-me: o rock casou-se com a música folclórica e deles nasceu o protesto“.
No dia das finais, conheci finalmente Cousin Brucey, um disc jockey alto, bonito e culto. Tem um jeito especial de lidar com os jovens, que enchiam o recinto do teatro e se referiam constantemente aos seus programas de rádio e televisão, os quais parecem ter um enorme impacto na nova geração americana.
Pouco antes tínhamos tido ocasião de constatar a influência de um disc jockey. Terrel arriscara uma quantia vultuosa mandando buscar os Righteous Brothers, na esperança de que eles atraíssem um grande público, mas a venda de bilhetes estava muito fraca. Um especialista no assunto lhe perguntou se ele tinha anunciado.
Em resposta, Terrel enumerou uma lista de jornais. O outro se mostrou espantado. “Jornais? O público que vem ouvir os Righteous Brothers nunca lê. Anuncie pelo rádio!”.
Terrel telefonou então para um disc-jockey, que fez um rápido comentário sobre o espetáculo dizendo que todos os seus ouvintes realmente entendidos estavam comparecendo ao Music Circus para ouvir os “maiorais”. Dentro de poucas horas, a lotação estava esgotada.
Em determinado ponto do diálogo entre Bruce e seus fãs, um deles lhe perguntou:
- Cousin Brucey, diz aqui que a presença conta ponto. O que é exatamente presença teatral?
Cousin Brucey pensou um instante, depois apontou um espantoso rapaz que vinha vindo pelo palco e exclamou:
- Aí está uma presença!
Era Phil Spector, de 24 anos, o rei do rock’n’roll. Usava um traje fim-de-século com as calças mais justas que eu já vira (explicou um concorrente: “nós dizemos, Sr. Michener, que se é possível botar as calças quando já se está de sapatos, nem as calças nem os sapatos merecem ser usados”).
Spector vestia também uma camisa de renda branca como as dos gentis-homens do século XVII, com enormes babados nos punhos, botinas de bico pontiagudo e saltos sete e meio. Seus cabelos eram tão longos que pareciam uma peruca caindo-lhe sobre os ombros e lindamente enrolados. A moçada delirou.
Na arena do júri, Spector me disse:
- Preste atenção na voz. Quanto mais o cantor conseguir comunicar-se com a platéia e entusiasmá-la, maiores são as chances que o conjunto tem de vencer.
- E o que mais conta além da voz?
- Um ritmo total. Se há ritmo total, o grupo pode vencer.
Logo se tornou evidente que a vitória caberia ou aos cabeludos e espertos Rockin’ Paramounts ou aos contidos mas retumbantes Galaxies IV. Os Galaxies tinham o som mais duro, mais metálico de todos os conjuntos que competiram, além de um ritmo desenfreado e de um vocalista de voz possante. Tinham criado uma maneira de encerrar cada número com uma coda em que tempo, frenesi e volume se aceleravam juntos. Foram eles os vencedores – um veredicto popular.
As impressões que guardei do campeonato são variadas. Cheguei à conclusão de que gosto de rock’n’roll como música da mesma maneira que gosto de pimenta na comida: não diariamente, mas de quando em quando é muito estimulante. Gosto em especial dos jovens que fazem esse tipo de música. Lon Van Eaton, de 17 anos, líder dos Trees de Trenton, foi o meu preferido. Lou estudou música, toca guitarra, clarineta, contrabaixo, saxofone, oboé, fagote, gaita, corne inglês e flauta. Diz ele de seu grupo: “Procuramos ser polidos e cultos e creio que vou entrar para a universidade. Se me formar, será graças ao dinheiro ganho com a música”.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Rádio Cultura FM 100,9 MHz (Brasília - DF)




Quem tem, digamos, uns 38 anos ou mais e morava no Rio de Janeiro em 1982 lembra-se perfeitamente do que foi a Rádio Fluminense-FM, a “maldita”, e do que ela representou para a música brasileira. Na época, foram lançados pela rádio aqueles grupos-que-não-é-necessário-citar-o-nome. Se não conhece, nunca ouviu falar, chegou agora da Venezuela, uma boa fonte de pesquisa é o livro do Luiz Antônio Mello, “A Onda Maldita: como nasceu e quem assassinou a Fluminense FM”. Para quem prefere televisão, informo que quem assassinou a Fluminense, segundo o autor, foram as gravadoras e as agências de publicidade. Com relação à Suprema Impunidade Nacional, as gravadoras já são penalizadas pela excelentíssima juíza chamada Internet e por milhões de incansáveis bucaneiros, paraguaios ou não. Quanto às agências de publicidade...

A história somente se repete como farsa, como disse Karl. Na época dele ainda não existia a CBN, mas isso não importava, pois ele tinha mais o que fazer. E em 1982 não existiam Internet, MP-3, Orkut, YouTube, MySpace, gravadores digitais, Pro-Tools. Não existiam guitarras chinesas de 300 reais. Não existia nem o Real. Existia um negócio chamado fita de uma polegada, na qual a música era mixada após a gravação e passada para um outro negócio chamado fita cassete de cromo. Poucos tinham dinheiro para comprar a tal fita de uma polegada, então elas pertenciam aos estúdios, e cada fita era usada na gravação de umas 300 bandas. Gravou, mixou, fita de uma polegada, fita cassete, fita de uma polegada apagada. Se o músico mudasse de idéia, sinto muito, grava de novo. Masterização? De que se trata?

Então combinamos que a história não vai se repetir.

E chega 2007, de volta para o futuro. Após um período de oito anos mergulhada em trevas, a Rádio Cultura-FM (Brasília, 100,9 MHz) (http://www.sc.df.gov.br/paginas/radio_cultura_fm/cultura_fm.htm) volta com nova programação. Após o período negro, a primeira vez que sintonizei lá, isso neste ano ainda, quase não acreditei: era verdade, uma rádio com nova direção, com grandes músicas, e SEM jabá. Eclética, com músicas independentes ou não, sempre de nível excepcional. Posso agora deixar em casa a caixa com doze CDs e apertar o power do Pioneer sem receio algum, e parar o carro na escuridão sem medo de perdê-la, e o carro e os vidros estão segurados e a frente do cd-player é descartável. É a felicidade em freqüência modulada.

Dentre os diversos programas da nova rádio, destaca-se o Cult 22 (www.cult22.com), que está no ar desde que Elvis apertou a campainha da Sun Records pela primeira vez. O programa, que sobreviveu até mesmo à besta do apocalipse e às citadas trevas, “rock e pop sem discriminação”, brilha nas noites de sexta-feira para se ouvir antes de sair de casa, e para se ouvir no carro a caminho de algum lugar. Se possível, ouça também quando chegar lá. Em nossos corações e tímpanos também estão, entre outros, o Programa Senhor F (indie-rock), o Conexão DF (tudo sobre artes & ofícios em Brasília – o oásis radiofônico dos artistas daqui), e o Violas & Violeiros em seu retorno triunfal – existe programa mais folk do que esse? Acorde às seis da matina, se tiver coragem.

A história não vai se repetir, mas ela pode ser reescrita, pois letras de música não são livros de História do Brasil nem de História Geral. De preferência, acrescente no mínimo três acordes e alguma dose de emoção.

Em resumo, mandem suas fitas, digo, seus CDs independentes para lá, de qualquer estilo, ou mesmo aqueles que não tiverem estilo algum. Com certeza serão, no mínimo, ouvidos com o respeito que merecem. E, quem sabe, talvez até entrem na programação da Rádio Cultura-FM, Via N2, anexo do Teatro Nacional Cláudio Santoro, Brasília-DF, CEP 70.070-200, e-mail: cultura.fm@terra.com.br . É isso. (A) (O) melhor (-) (do) rádio do Brasil está de volta. We salute you!

Fernando Brasil (Brasília-DF)





Fernando Brasil é o cantor, violonista e gaitista do duo folk The Green Folkies, junto com o violinista Flávio Pennachio. A banda bitter-sweet tem cadeira cativa, ou palco cativo, todos os sábados no Pata Negra, a embaixada gastronômica espanhola de Brasília (a quem se interessar: 413 sul).

Mas a história de Fernando na seara musical começa bem antes, na década de noventa, como baixista do Tenente Mostarda. Com o fim da banda e após um período na Europa tocando em metrôs londrinos e praias gregas, o músico retorna ao país em 2001 e decide formar uma nova banda: o Phonopop (http://www.phonopop.net/), que em sua primeira versão era composto por Fernando, Fernando e Fernando. Ou seja, somente ele mesmo. Grava seu primeiro EP, “Phonopop”, nesse mesmo ano, com 4 faixas e a produção e participação de Philippe Seabra, da Plebe Rude (detalhe: esse EP foi a primeira produção do Philippe após voltar dos EUA, o protótipo. Hoje, 6 anos depois, ele é um dos mais atuantes e respeitados nomes do setor produtivo nacional). Outros músicos aderem à banda, como o guitarrista Jú, o tecladista Daniel Cariello e o baterista Bruno Daher. Em 2003 sai o segundo EP, com 6 músicas (prêmio de melhor demo de 2003, no 3º Indie Destaque, promovido pelo selo Midsummer Madness). Em 2005 o Phonopop lança o primeiro CD, “Já não há tempo”, como contratados do selo T-Rec/Indie Records. Em 2006, seu segundo EP, “Comendo Vidro”, com apenas duas músicas e preparatório para o futuro segundo CD, atualmente em fase de composição.

Existem diversos clichês insuportáveis assombrando a palavra “pop”: “pop perfeito”, “pérolas pop”, “pop ensolarado”. Pobres bandas que recebem sobre seus ombros tais rótulos-adjetivadores, algumas nem merecem. Teria então o prefixo “Phono” o poder de neutralizar tal maldição? Sim, pois Fernando Brasil não é Gisele Bundchen, não é uma ostra, e sua música não acarreta danos dermatológicos a longo prazo. O “pop” de Fernando pode ser tudo, menos “ensolarado”. Bandas ensolaradas provocam envelhecimento precoce. Sua música é nublada, introspectiva, perspicaz. Como os clássicos de Paul Weller e Ray Davies.

Fragmento (Fernando Brasil)

Estão ali, imóveis, a imagem e você:
“Por que você não diz nem por um momento
se eu tentar, faço assim valer
a nossa vontade no final"?
O seu olhar não sai da fotografia:
”Por que você não diz, nem por um segundo,
sem errar, eu quero ser
tudo o que você é para mim”!

Vou, como um trem sem parar
Já não tenho mais freios para te esperar
Vou, sigo em frente, quem sabe
o que o medo faz com a gente, afinal?


Cantor de voz privilegiada, em 2007 Fernando funda também a banda Invasão Britânica (êta sujeito incansável), com o baterista Txotxa, o guitarrista Jú e outros músicos. O Invasão toca, é claro, músicas britânicas, em especial as da década de 60. O “Dia D” ocorre quinzenalmente às terças-feiras, no Pub O’Rilley, nossa normandia de plantão (por falar no Txotxa, para quem se interessar pela arte da bateria, bateristas famosos e ritmos em geral, ele tem um blog fantástico: http://www.txotxa.blogspot.com/).

Momento hardware: Fernando é o feliz dono de um set up capaz de fazer inveja a qualquer músico: um amplificador Vox “Beatle” AC-30, um baixo Epiphone “Paul McCartney” Viola Bass, uma Gibson ES-335, uma Rickenbacker “John Lennon” e um violão Epiphone “John Lennon” (faltaram a Gretsh Country Gentleman e a Epiphone Casino! Que vergonha, rapaz...). Por que será que ele fundou uma banda chamada “Invasão Britânica”?

E agora, Fernando Brasil? Tanto quanto o rock, agora o folk entrou em suas veias, admita, e lá seu talento também explode de forma ampla e cristalina. Para onde o futuro te levará?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Júlia Debasse (Rio de Janeiro)





















Júlia Debasse é uma nova (nova mesmo: 21 anos) cantora e compositora do Rio de Janeiro. Compondo sozinha ou com a parceria de Sérgio Diab, Júlia gravou doze músicas, todas disponíveis para download em seu site (www.juliadebasse.com.br).
Como diz o curto release, “em tempos de DJs e atitude, Júlia Debasse define-se somente por suas canções. O simples fato de ter algo a dizer é o que motiva a música, distorce as guitarras e aquece a voz”.
As músicas de Júlia Debasse são o registro de uma das cantoras mais interessantes surgidas na cena independente nos últimos tempos. Base pesada, as músicas são costuradas de forma brilhante pela guitarra-e-amp-válvulas-derretendo de Sérgio Diab. Voz forte, mixada na frente, Sheryl Crow dos primeiros discos, if it makes you happy, Rita Lee na época em que o fruto era proibido e os jardins continuavam suspensos. Distante de modismos, Júlia é clássica, no melhor sentido da palavra. E as letras? Aqui vai um exemplo:

Os Meios e os Fins (Debasse/Diab)

O Homem faz de tudo para alimentar sua desgraça
Mata e morre de fome, constrói casas já mal-assombradas
O medo brota à pele, pálido como um lírio branco
O coração empalidece e se dilata em espanto

Há um homem lá fora, gentilmente quebrando relógios
A indiferença é um vírus, criado em laboratório
Cemitérios de anjos, milhares de estátuas de sal
Um espantalho em chamas se ergue no milharal

Você pode até dizer que não é bem assim,
Mas se lembre que os seus meios
Justificarão o seu fim

Você encrava os dentes de ouro numa pequena fruta de cera,
Mas é bem real o sangue que escorre de sua boca estreita
O amanhã podia ser o que você queria que ele fosse
Pense nisso e não forre os azulejos com o jornal de hoje

Os jogos do Coliseu já são televisionados
Um abutre pra lamber as feridas de todo coitado
Macedo é um bispo mercante, ele se compadece
Os políticos debatem com a boca cheia de confete

Você pode até dizer que não gosta de mim
Mas se lembre que os seus meios
Justificarão o seu fim

Nessa letra, pelo menos dois achados: “a indiferença é um vírus, criado em laboratório”; e “O amanhã podia ser o que você queria que ele fosse / Pense nisso e não forre os azulejos com o jornal de hoje”. Sim, com certeza não forraremos.

Júlia também é pintora, e suas telas podem ser visualizadas no site. É contratada do selo do Beni, ex-baterista do Kid-Abelha e autor de vários sucessos do início do grupo, a maioria junto com Leoni, ex-baixista-e-atual-carrera-solo. Beni é o chefão e guru do selo Psicotrônica (www.psicotronica.com.br), que tem em seu cast, além da Júlia, Cris Braun, Diab (também guitarrista da banda de Toni Platão), Humberto Barros (tecladista do Kid Abelha), Picassos Falsos e Tuia Lencione. O selo foi um dos vetores responsáveis pelo estouro-local-no-letras-e-depressões do Toni Platão, seu ex-contratado e que agora almeja vôos (talvez) maiores.

Concordo total e plenamente com o manifesto da Psicotrônica, que reproduzo abaixo:

“O Manifesto:
A indústria do disco enfrenta a pior crise da sua história. As vendas em queda livre, os formatos em transição, o rádio agoniza e um público jovem cresce avesso à idéia de comprar CDs. Para os investidores, o futuro pode parecer extremamente incerto e sombrio para a música popular. Para nós da Psicotrônica, música é uma necessidade vital, uma escolha existencial, mesmo que nesse momento represente um investimento de risco. Fazemos música porque acreditamos no poder de comunicação de idéias através de canções. Fazemos música porque acreditamos que canções podem transmitir mensagens, causar impressões, promover revoluções. Fazemos música porque acreditamos (suprema pretensão) que a música pode mover o mundo, porque a arte muda consciências. A crise do mercado de hoje não nos assusta, porque estamos nesse negócio empenhados em criar a demanda do futuro. Rejeitamos completamente a empurro-terapia do marketing selvagem, que quer criar no público, a golpes milionários de investimento em mídia, interesse por produtos intrinsecamente desinteressantes. A realidade não é adversa à música, ela simplesmente se opõe a um modelo de negócio ultrapassado. A crise existe porque a indústria parou de ouvir a voz das ruas, se concentrando na criação de “artistas” de laboratório, programados pelas pesquisas de mercado, filhotes dos egos inflados de marqueteiros pseudo-criativos. O disco pode estar nas últimas , mas a música vai muito bem, obrigado. Nunca se ouviu tanta música diferente (graças à Internet), nunca se viu tanta música ao vivo. Por isso, a Psicotrônica se lança ao trabalho confiante no futuro da indústria da música. Acreditamos no valor eterno de canções que têm idéias e substância, que representam a realidade da experiência pessoal, música que desafia as obviedades. Acreditamos na voz única e individual do artista, não em franchises baseados em belas estampas e num amontoados de palavras que rimam. Acreditamos que as mudanças nos produtos, no consumo e na distribuição de música, representam novas oportunidades e desafios artísticos e comerciais, que devemos considerar com destemor. Queremos construir carreiras e repertórios. Elaborados com a paciência de um disco após o outro, um show após o outro, ano após ano, “tijolo após tijolo num desenho lógico”. Aplaudimos os que se propõem a preservar a extraordinária tradição da música popular brasileira, mas queremos fazer parte dessa história buscando o novo, as vozes que cantam hoje, que falam desses dias. Na nossa missão de acreditar na relevância da produção atual da música brasileira , não há preferência de gênero. Nomes tão díspares como Martinho da Vila e Renato Teixeira, Renato Russo e Roberto Carlos, Noel Rosa e Chico Science simbolizam, cada um à sua maneira, os valores artísticos de criatividade e individualidade, que buscamos promover. Neste momento, em que a música sofre um racionamento radical de inteligência, nós da Psicotrônica queremos propor outras direções para a música popular brasileira à altura das suas tradições. Muita pretensão? Com certeza... Mas não foi de despretensão em despretensão que nós chegamos neste estado de coisas?”

E temos dito.


Amú (Rio de Janeiro)










Amú (www.amuweb.com) é José Renato da Costa, guitarrista, compositor e cantor. Nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se aos 11 anos para Brasília, onde foi contaminado de forma instantânea pela febre que assolava a capital federal à época: o famigerado rock dos anos 80. Nos anos 90, participou de algumas bandas underground como guitarrista, entre elas o Tenente Mostarda, que participou de três coletâneas e teve seu clipe veiculado na antiga televisão-que-passava-vídeo-clipes-e-hoje-prefere-programas-de-auditório chamada MTV (pronuncia-se emitíví). Hoje, chama-se TST (pronuncia-se tíesstí, Talk Show Television). Curiosidade: do Tenente Mostarda saiu o baixista (hoje guitarrista) Fernando Brasil, para fundar o Phonopop. Em 2000, Amú, já guitarrista experiente, decide voltar a morar no Rio de Janeiro. Os motivos? Um deles, sua opinião sobre as poucas possibilidades da aplicação de acordes dissonantes no pop/rock. Outro, sua música já se aproximava demais e de forma irreversível da MPB sofisticada, de harmonias ricas e complexas, e o Rio de Janeiro parecia, historicamente, o lugar ideal para se fazer esse tipo de música. Começou tocando em diversas jam sessions, apenas como guitarrista, e depois formou um trio que percorria o circuito de bares da cidade. Em 2001, iniciou os estudos de técnica de gravação e produção fonográfica com o produtor Mayrton Bahia. Em 2003, venceu o primeiro Guitar Player Festival, realizado em São Paulo, e foi elogiado pela revista americana Guitar World. No ano de 2005 abriu seu próprio estúdio de gravação e masterização, o Estúdio 3 Luas.

Bom, agora é que a história começa a ficar emocionante. O primeiro CD, “Amú”, com 11 faixas e gravado em seu próprio estúdio, fica pronto em meados de 2005. Surpreende muita gente, pessoas já acostumadas com o mega-guitarrista, mas não com a novidade do Amú-cantor. Suas novas composições misturam a sonoridade clássica do violão de nylon, as harmonias bossa-nova e, de repente, uma guitarra-fuzz faz Chico Buarque abraçar Jimi Hendrix nas águas tépidas do mar do Leblon.

As letras têm como base o universo da MPB, fugindo léguas do atual nonsense banal das bandas de rock-adolescente (não conectando a palavra “adolescente” com a idade do sujeito). Uma vez, há anos, Amú ouviu a famosa frase-chavão, não sei o autor, que dizia que “o rock não deve se levar a sério”, ou “o rock não deve ser sério”, ou alguma bobagem do tipo. Obviamente, percebeu o equívoco da coisa. Em seu rápido processo de evolução, comum a tantos outros músicos, Amú está feliz.

Um Beijo e Até (Amú)

Vai e segue o teu rumo,
Que é tão longe de mim
Pode crer que sim
Basta olhar em volta para ver
Que a gente quando muito combinava
Não tinha nada a ver

Você me usou
E eu te usei também
Sem saber por que
Sem saber a quem
Nós enganaríamos nesse jogo
Tão louco e cujas regras
Mudam pouco a pouco

Você não é quem eu pensei
Não pense que eu não sei
Quem tu és
A vida ensina
E hoje eu aprendi
Estou saindo fora
Um beijo e até

Leve as poucas lembranças
Que insistimos em criar
E em nenhum de nós
Chegou a acreditar
Leve também o medo
Nosso grande aliado
E de todo amor já acabado.

Amú agora prepara seu novo CD, a ser lançado no final de 2007 ou início de 2008. Enquanto aguardamos com ânsia, é possível baixar todas as músicas e também a capa do CD anterior, no seu site.

Quanto à frase, se tivesse sido dito que “o rock deve se levar a sério”, isso também seria equivocado. Como entender?