terça-feira, 29 de abril de 2008

Noé Klabin



A primeira coisa que chama a atenção ao ouvir Noé Klabin (http://www.myspace.com/noeklabin) é o belo timbre de sua voz. No release, a informação de que sua professora de canto é Vera Canto e Mello, a famosa mestra-do-canto-carioca, que é ou já foi professora de vários cantores hoje famosos. Depois, os instrumentos: um violão-nylon, um violoncelo e percussões diversas. Noé cita que a formação inusitada do grupo foi escolhida pela necessidade de fugir do tradicional, e que sua música é influenciada por uma variedade indiscriminada de estilos musicais, do rock à bossa nova e aos cantos indígenas. O trabalho é o acúmulo de estudos que o levaram até a morar em uma aldeia de índios Xavantes, no Mato Grosso. Suas canções mostram harmonias bem trabalhadas, e algumas fazem referência ao folclore. O CD/SMD “O Bicho”, com oito músicas, abre com a instrumental (violão e violoncelo) “Lamento do Sol”. Depois, quatro músicas com a formação clássica de seu show: violão-nylon, violoncelo e percussão. Essas quatro músicas-calmas mostram originalidade, uma espécie de encontro de Cartola com Damien Rice em algum café do Jardim Botânico. Na sexta música, “Vento Mensageiro”, teclado, baixo e bateria são chamados para fazer companhia ao violoncelo. O clima mantém-se e o CD parece aproximar da MPB mais tradicional. Depois, uma transformação – de quem será essa nova música? “É Dela”, um funk à Cláudio Zoli, com banda e naipe de sopros, levando o CD a uma radical mudança de direção. O violoncelo, sem espaço, prefere se retirar. Por fim, na última música, nova mudança, desta vez não tão radical: “Confusão”, um rock no estilo noé-klabin e a melhor música do CD, mostrando a força de sua voz e seu timbre privilegiado. Noé foi sincero quando disse que sua música é influenciada por diversos estilos musicais. Aliás, ele foi original até na escolha da ordem das faixas, e fez um CD com a ordem exatamente inversa da que seria a esperada. Mas quem disse que o padrão de mercado é sempre o melhor?

Confusão (Noé Klabin)
Eu que vim do preto,
Eu que vim do branco,
Eu que vim do riso,
Eu que vim do pranto,
Eu que vim da noite,
Eu que vim do dia,
Sou filho do diabo com Santa Maria.

Eu vim do lixo,
Eu vim da flor,
Eu vim do ódio,
Eu vim do amor,
Eu vim do frio,
Eu vim do quente,
Eu sou careca mas eu uso pente.

De onde vim?
Pra onde vou?
O que é que eu fui?
O que é que eu sou?

Eu sou a mãe,
Eu sou o pai,
Eu sou hello,
Eu sou good-bye,
Sou anarquia,
Eu sou a lei,
Eu sou macho,
Eu sou gay.

Eu não sei não,
Eu sei de tudo,
Eu muito falo,
Eu fico mudo.

A única coisa que eu tenho certeza,
Vou lhe dizer e nunca se esqueça,
É que esse mundo é uma confusão
E quem acha que sabe, não sabe não.


sexta-feira, 25 de abril de 2008

O Vôo das Baratas Tontas



Retransmito texto de Beni Borja, compositor, produtor e guru do selo carioca Psicotrônica (www.psicotronica.com.br). São sábias palavras sobre o que poderá (ou não) ocorrer com as atuais e diversas mídias existentes e, conseqüentemente, com o futuro-da-música-como-nós-a-fisicamente-conhecemos.

O Vôo das Baratas Tontas

Caros,

Em meados de 2007, eu escrevi um despretensioso textículo com o título "O natal de 2007 - A fronteira final" (http://www.diariomusical.blogspot.com/), e me surpreendi com a sua repercussão. O ACM "do bem", Antonio Carlos Miguel, publicou-o no seu blog no Globo Online, e uma série de outros blogs fez referência a ele. Não era preciso ser nenhuma "Mãe Diná" para prever que o natal de 2007 seria o canto do cisne da indústria musical como a costumávamos conhecer.

É reconfortante verificar que o meu problema dos últimos anos - como sobreviver de música sem vender discos - finalmente ocupa a mente dos que dirigem as grandes corporações da indústria. No exterior, este começo de 2008 tem sido marcado por ações descoordenadas das grandes gravadoras, numa verdadeira revoada de baratas tontas. Uma avalanche de novas iniciativas no meio digital - música por assinatura, celular com música, música com mp3-player, música com propaganda, tentam convencer o ressabiado consumidor de música na internet a fazer negócio com uma indústria que, até poucos meses atrás, o tinha como inimigo declarado.

Na cirurgia plástica para dar uma cara "user-friendly" aos mercadores de fonogramas, a EMI deu um belo golpe ao contratar o CIO (Chief-Information Officer) do Google, Doug Merril, para comandar suas ações digitais. O cara já está milionário, gosta de música e resolveu assumir o risco de mudar de mocinho para bandido do capitalismo. O futuro dirá se ele vai conseguir fazer alguma coisa de útil, mas suas primeiras declarações foram muito interessantes. Perguntado sobre como a sua experiência no Google poderia ser útil nesse conturbado cenário da industria musical, ele disse que a principal coisa que ele aprendeu no Google que iria servir nessa situação era "seguir os dados". A tese dele, que faz muito sentido, é que num ambiente de mudanças constantes de hábitos, como o da Internet, não há como precisar o que vai funcionar, todas as iniciativas partem de um mero palpite sobre o comportamento das pessoas. Portanto é preciso experimentar de tudo e "seguir os dados” fornecidos pelos interação com o público, e aperfeiçoar constantemente os serviços oferecidos.

Realmente, a capacidade de rapidíssima adaptação das demandas dos usuários é uma característica comum a todos os negócios que dão certo no mundo digital. Essa flexibilidade, em função da demanda dos consumidores, foi tudo o que não aconteceu até agora por parte das gravadoras, que tentaram inutilmente adequar o consumidor ao seu modelo de negócio, ao invés de se ajustar às expectativas do cliente.

Aproveito a deixa de Mr. Merril para aposentar meus poderes extra-sensoriais de vidência. Minha clarevidência micada me obriga a rever a minha profecia de que os CDs iriam sobreviver com preço baixo, e dando meu braço a torcer, admito que provavelmente estavam certos os que previram a pura e simples extinção do disquinho prateado como produto comercial. Portanto, reconheço que não tenho a menor idéia, e custo a crer que alguém tenha mais do que uma intuição sobre qual modelo de comercialização de música digital vai cair no gosto dos consumidores. Se tudo se encaminha para um desfecho ainda imprevisível lá nas bandas do norte-maravilha, o que o destino reservará para nós da Brazucolândia? Nesta terra, onde os infelizes varejistas de música digital ainda estão amarrados ao formato-mico WMA com DRM, incompatível com IPod, o que se pode esperar do futuro próximo? Se aqui a comercialização de música digital anda, por enquanto, a passos de formiga, o outro vértice da mudança na música, a mídia, anda no mesmo passo apressado de outros cantos mais "desenvolvidos" (detesto esse termo).

A proliferação de uma nova e redentora instituição nacional, as "lan-houses", permitiu que o tenebroso futuro de uma divisão digital da sociedade, previsto por colegas futurólogos equivocados, não passasse de uma ameaça tão fajuta como o "bug" do milênio. Jovens de todas as idades e níveis de renda têm, indistintamente, acesso a mensagens instantâneas e a redes de relacionamento social. Por todo canto se vê gente de todo tipo com headphones no ouvido. A base instalada de banda larga cresce vertiginosamente, a penetração dos celulares é maciça, ou seja, a base instalada de futuros consumidores de música digital já está aí, e eles já estão descobrindo música pela Internet todos os dias.

Portanto, sigo fiel à minha promessa de abandonar a futurologia, quando diviso nos horizontes de 2008 o início do começo de um novo modelo de negócio de música. Os blogs como principal fonte de formação de opinião musical , os discos por download direto do artista, as redes de relacionamento como instrumento de agrupação de músicos, todas essas coisas estão acontecendo agora, e não são mais visões de um futuro possível. É difícil singrar pelos mares nunca dantes navegados dessa tempestade de informação, por isso escrevo esse e-mail-provocação esperando respostas. Respostas sobre a experiência pessoal de vocês, caros amigos, no surfe dessa onda... O que dá certo? O que é perda de tempo? Quem faz diferença? Prometo solenemente editar as respostas e dividir com todos , para que possamos aprender juntos.

um abraço,

Beni Borja”
(www.myspace.com/beniborja)
Sim, isso tudo tem ligação com o próximo post que pretendo escrever.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Juno, os Filhos da Judith & outras histórias legais









(Quase) todos já viram Juno, vencedor do Oscar de melhor roteiro original de 2008, sério candidato ao título de melhor-filme-na-minha-opinião desde ... Sideways? A autora do roteiro é a hoje famosa Diablo Cody, escritora, blogueira, ex-secretária e ex-stripper. A personificação total e completa do "sonho americano". Ótimo, gostei dela, temos até uma similar nacional, um pouco mais hardcore. O diretor é Jason Reitman, do igualmente-bom (e um tanto quanto exagerado) “Obrigado Por Fumar”.


O que nos interessa aqui é a trilha sonora, folk até a alma e rock’n’roll na medida certa. “A” música do filme é “Anyone Else But You”, (http://www.myspace.com/themoldypeachesfans) dos The Moldy Peaches (http://www.moldypeaches.com/), cantada pelos próprios e também por Ellen Page e Michael Cera (os protagonistas) na cena final. Foi Ellen quem sugeriu a inclusão da (então) obscura banda na trilha sonora, de acordo com o diretor: “Eu perguntei a ela, antes de começarmos a filmar: o que você acha que Juno ouviria? E ela disse: The Moldy Peaches. Foi ao meu computador, tocou a canção e eu me apaixonei...”.


Escolhida com cuidado extremo, a trilha é eclética e com direito a citações (ouça “Sea of Love”). Notem como tanto os Moldy Peaches quanto Belle & Sebastian nos remetem à sonoridade típica dos Anos-60-em-Nova-Iorque (Simon & Garfunkel em primeiro plano). E tem ainda o Velvet Underground e o hino eterno do Mott The Hoople, “All The Young Dudes”. O cenário é Vancouver, mas poderia ter sido qualquer outra cidade, o local é o que menos importa: veja a cena em que as mansões de subúrbio canadense sucedem-se em quadros, todas idênticas, poderiam ser casas no Lago Sul ou em um condomínio-chique qualquer do Recreio.

'Juno' Soundtrack Track Listing:
'All I Want Is You' - Barry Louis Polisar
'Rollercoaster' - Juno Film Version - Kimya Dawson
'A Well Respected Man' - The Kinks
'Dearest' - Buddy Holly
'Up The Spout' - Mateo Messina
'Tire Swing' - Kimya Dawson
'Piazza, New York Catcher' - Belle & Sebastian
'Loose Lips' - Kimya Dawson
'Superstar' - Sonic Youth
'Sleep' - Instrumental - Kimya Dawson
'Expectations' - Belle and Sebastian
'All The Young Dudes' - Mott The Hoople
'So Nice So Smart' - Kimya Dawson
'Sea of Love' - Cat Power
'Tree Hugger' - Kimya Dawson and Antsy Pants
'I'm Sticking With You' - Velvet Underground
'Anyone Else but You' - The Moldy Peaches
'Vampire' - Antsy Pants
'Anyone Else But You' - Ellen Page and Michael Cera

Alguns MP-3s, para que a felicidade se complete:

“Anyone Else But You” The Moldy Peaches
“Loose Lips” Kimya Dawson
“Piazza, New York Catcher” Belle & Sebastian
“All the Young Dudes” Mott The Hoople
“Sea of Love” Cat Power

Uma das questões que o filme levanta (além da gravidez precoce) é a seguinte: poderiam ser os adolescentes de hoje tão inteligentes e originais como Juno? Ou apenas uma parcela mínima pertenceria a esse universo? Sendo mais específico, já que falamos de música: e no Brasil, com o massacre proporcionado pela MTV, bandas-emo-gritadoras, cantoras monetaristas de axé e propagandas psicóticas de empresas de telefonia celular, o que restaria? E sendo mais específico ainda, o que eles ouviriam? Qual a trilha sonora de um adolescente brasileiro que, após ver o filme, se identificou com Juno e disse: eles respeitaram meu cérebro e minha maturidade, ambos em acelerado desenvolvimento? Quais as novas bandas nacionais a serem ouvidas, independente do estilo?

Uma delas poderia ser a “Filhos da Judith” (www.myspace.com/filhosdajudith) (não, não sei se eles são realmente filhos da Judith, isso não importa nem um pouco e não vou perguntar). A banda, um trio do Rio de Janeiro - Alan Fontenele na bateria e os irmãos Pedro Dias no baixo e vocal e Luiz Lopez na guitarra, teclado e vocal (de novo, não, não sei mesmo se eles são filhos da tal Judith. Os irmãos nem têm o mesmo sobrenome). Segundo o release, o destaque “são os vocais que harmonizam em dueto, com influência das lendárias bandas dos anos 60”. (eu sempre desconfiei que os Beach Boys são uma lenda e que Brian Wilson nunca existiu)


O grupo lançou em 2006 o CD independente “Eu quero ser vinil”, com dez faixas (ouça em http://www.filhosdajudith.com/disco.htm) e foi contratado pelo selo Supermusic. Apresentou-se em famigerados e onipresentes festivais independentes, como o MADA 2006 em Natal (RN), Rock Hour e CEP 20.000 (Rio de Janeiro). O grupo tem oito anos de formação, e a atual já dura quatro anos. O disco de estréia da banda será produzido pelo dono do selo e mega-star-dos-botões Liminha (esse cara é realmente bom), e tem previsão de lançamento para este ano.

Ainda não decidi se a banda entraria no filme na cena buddy-holly ou na cena the-kinks. As músicas “Se Você Diz” e “”Baby Sempre Assim” os levariam para o lado buddy, mas “Em Torno de Mim” e “Technicolour Love” são mais kinks. Que coisa. Eles não são nem um pouco Belle & Sebastian ou Moldy Peaches, mas se encaixariam na trilha sonora mesmo assim.

Juno adoraria tocar uma cover dos Filhos da Judith no quarto de Mark Loring, de preferência com sua Gibson Les Paul, e ambos só parariam quando Vanessa chegasse em casa e olhasse para o marido com aquela cara de você-não-cresce-nunca ...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O Folk do Lestics e a Eterna Busca da Autonomia



No final de 2006, dois integrantes da banda paulistana Gianoukas Papoulas (nome digno de constar em texto do Hergé) montaram um projeto paralelo, chamado Lestics. A idéia básica, compor com liberdade, gravar em home studio e colocar as gravações na internet para download gratuito. Ou seja, com o acréscimo da tecnologia, pôr em prática mais uma vez os preceitos punks de 1976. Incrível como, 30 anos depois, a busca pela autonomia continua a guiar bandas como forma viável e possível. Existe algo mais insuportável do que depender de terceiros para fazer alguma coisa? Felizes são os pintores e os escritores, que podem fazer seu trabalho de forma solitária, e nem precisam passar pelo (desgastante e caro) processo de gravação em estúdio. Não precisam marcar ensaios, conciliar horários, administrar egos feridos. E o melhor de tudo, não precisam procurar baterista. Quanto menos gente envolvida, melhor. Não dependa de ninguém, jamais. O Lestics seguiu essa idéia, a busca do máximo quando se tem o mínimo. Dois músicos, com a ajuda complementar de um artista plástico (para a capa e o site), um DJ (algumas programações) e um técnico em masterização. Foi o suficiente, e a famigerada tecnologia se incumbiu do resto.

(na aba oposta do leque artístico estão os cineastas, ainda asfixiados pela impossibilidade de autonomia e completa independência, já que o cinema exige um investimento himaláico, muitas e muitas pessoas envolvidas e, no final de tudo, um número de salas de exibição simpáticas à causa em número abaixo do nível do mar. Calma, algo está acontecendo neste exato momento: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/12/04/327439610.asp. A era punk finalmente chegará aos cinemas? Morrerão os dinossauros progressivos captadores de recursos públicos? Respondam, respondam)

Assim, ocorre o seguinte: o que importa é o processo, é a felicidade de aprender e de se aprimorar, de ver seu produto chegar às pessoas que realmente estão interessadas nele. E se não chegar, isso é o que menos importa. Afinal, o que vale mais, uma platéia menor, atenta e interessada, ou uma multidão bêbada pulando em frente ao palco montado com o dinheiro de uma empresa de telefonia celular, banco, cerveja ou refrigerante? Não precisa responder.

(mais um parêntese: há uns três anos assisti a um show do Billy Bragg, só voz e guitarra, lugar de tamanho médio com um público de cerca de 200 pessoas, acho. Os aplausos não eram no final de cada música, mas sim no final de cada frase, algo que eu nunca tinha visto antes. Gostaria de ter entendido mais do que ele cantou, o bardo é inglês, mas sinceramente não sei que língua fala. Passei 10 anos estudando o idioma, em duas escolas, e tenho esses certificates inúteis. Quero meu dinheiro de volta)

A questão tecnológica e econômica: porque gastar milhares de dólares em um estúdio profissional estilo L.A., se podemos obter um resultado (semelhante / aceitável / apenas um pouco inferior) em um McIntosh caseiro? “Pelo timbre, pelo timbre perfeito”, retruca o dono-de-estúdio-estilo-L.A., defendendo seu território. “E o timbre perfeito sobreviverá após sua mutação para 128 Kbps e, céus, depois de ser anexado a um ícone dentro de uma página na Internet?” devolve o dono do McIntosh caseiro cheio de programas de última geração, muitos deles pirateados. E agora? E agora? Um Mesa-Boogie em volume máximo dentro de uma sala com tratamento acústico, ou um reles plug-in digital de guitarra? A provável perfeição ou o custo-benefício? Respondam, respondam. “Depende do objetivo” não vale.

O Lestics escolheu a segunda opção, e não se arrepende. O duo é Olavo Rocha (voz) e Umberto Serpieri (o restante, a parte que falta). Em março de 2007 lançaram o primeiro trabalho, chamado “Nove Sonhos” (ouça em http://www.lestics.com.br/). A gravação e mixagem foram feitas em um computador caseiro, com a utilização de programações eletrônicas. Dizem por aí que quem faz a mixagem não deve fazer a masterização. Dessa forma, a master veio de um estúdio externo. Poucos meses depois saiu o novo álbum, “les tics”, com suas nove faixas disponíveis no site, incluindo a capa. Ouça, grave, participe, tire suas conclusões. Um folk-country diferente, com bateria eletrônica, violões-base e arpejos de guitarras limpas e tremolos, teclados jovem-guarda, cantor de dicção clara e letras curtas e sintéticas, como esta:

Gênio (Lestics)

Shakespeare e os gregos
já disseram tudo antes
E você não quer viver
à sombra de gigantes

Três ou quatro genes
te separam da grandeza
Mas culpar seus pais
não é da sua natureza

Você tem a alma
atormentada de um gênio
Pena que te falte
uma pitada de talento

Só a solidão do topo
iria te acalmar
Todo mundo te entende
e isso te parece tão vulgar

Você tem a alma
atormentada de um gênio
Mas te falta
o talento

Para finalizar, o texto realismo-fantástico-lisérgico-anos-60 de Fernando Tucori, jornalista do site Rockwave (http://www.rockwave.com.br/). Está no release da banda. Acho que só serei capaz de escrever desse jeito depois da décima caneca de Guiness, e eu nunca passei da terceira. A Guiness é muito cara. A quarta é sempre Bohemia, baita nome legal. E sem nenhum axé/pagodeiro como garoto-propaganda.

“les tics

Vindo de uma temporada de imersão em Hunter Thompson e de uma matéria na mesma linha, “les tics”, da banda Lestics me serve como válvula de descompressão. Depois de ler a alma atormentada chapada de ácido no meio do deserto, em Las Vegas, é uma delícia ser conduzido pelos Lestics a uma viagem pela alma humana em nove capítulos. São nove maneiras diferentes de se perder dentro de alguém e, em contrapartida, achar-se em outro lugar, porque tudo aquilo que não foi capaz de te destruir, você é capaz de transformar em poesia.

Você estranha com admiração, você admira com estranheza, você vai negar, vai achar que a culpa é sua, vai achar que não é culpa de ninguém, é inevitável, que tudo está escrito mas mesmo assim muda, e que isso é que é o caos e não vai adiantar nada você perguntar ao caos por que é que ele é assim. É assim que é, o mundo é assim, a vida é assim e você não é um herói. Nem eu sou. Nem os Lestics. Quem faz de si um animal selvagem, fica livre da dor de ser um homem. Os Lestics não fazem nem um nem outro. Eles são homens e pagam em música a dor de o serem.”
(Fernando Tucori)

Nossa.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Ao Vivo!